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Eu não tolero os gays

André Alves* – Recebi hoje um twitter da Revista Época que transcrevo literalmente: Criança vê um casal gay pela primeira vez e dá lição de tolerância » http://glo.bo/naJDpU (no @bombou). Eu achei um absurdo porque eu não tolero os gays! Eu tolero meu vizinho que escuta música muito alta e que me atrapalha na concentração quando estou trabalhando ou querendo ver um filme. Eu tolero quando um carro me fecha no trânsito. Eu tolero até mesmo quando entro nas redes sociais e vejo um monte de tolices e muito pouca coisa séria. Mas gays, realmente, eu não tolero!

Eu não tolero porque eu respeito a diversidade sexual. Eu respeito igualmente o homossexual, o heterossexual, o bissexual, o transexual e ponto. Não preciso tolerar porque pra mim não é um peso aceitar a diversidade sexual. Cada um é livre para ser o que é e o RESPEITAR deveria ser o verbo usual e não o verbo TOLERAR.

Quando afirmamos que toleramos alguma coisa queremos dizer que suportamos, que temos paciência, que aturamos e não é dessa indulgência de quem é diferente de você precisa. Precisa de respeito, de aceitação. Não é tão mais simples do que esconder maledicências num sonoro tolerar? Ou como diria Gabriel, o Pensador na música Se Liga aí: “Deixe ele viver em paz/ Cada um sabe o que faz/ Deixa o homem ter marido/ Deixa a mina ter mulher/ Deixa ela viver em pé/ Cada um sabe o que quer/ O que é que tem demais cada um ser o que é?”

E pra quem clicar ou já clicou na notinha da revista semanal verá que lá o título é outroCriança vê pela primeira vez um casal homossexual e dá lição de civilidade. No texto tem a tradução de uma das falas da criança que resume o espírito da reação do menino: “Isso significa que vocês se amam!”. Simples assim!

Nem a notinha da internet, muito menos a criança fala em tolerância, que talvez tenha sido um deslize de quem twittou. Ou talvez tenha sido alguém que tolere (ou não tolere) os homossexuais e desvirtua com uma simples palavra o que um garotinho disse.

É claro que cada um tem o direito a sua opinião, a minha é essa. Os totalitaristas têm outras bem contrárias às minhas. Mas a questão é que a imprensa precisa cuidar melhor das expressões que usa para chamar a atenção dos leitores. Desvirtuar numa rede social o que um menino disse com o coração e sem maldade alguma… isso sim é intolerável!

* André Alves é jornalista e especialista em Antropologia

Publicado originalmente no blog Cinema e Mídia em julho de 2011

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About André Alves

jornalista e blogueiro

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