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Crônicas

Moto-contínuo

Uma das coisas que mais me fascina é o aprendizado. Ainda que eu seja meio rebelde em relação aos métodos convencionais de estudo, aprender sempre é uma motivação. Que bem entendido fique que não estou falando de aprender para passar de ano, em concursos ou para ir melhor no trabalho. Estou falando no prazer de aprender algo novo mesmo, que até pode sim ter alguma aplicação prática no cotidiano ou ser simplesmente um deleite intelectual, cultural, moral, sei lá… ou tudo isso junto.

E às vezes ainda me surpreendo com quem não pensa assim. Não que tenha que pensar igual a mim, mas simplesmente porque não gosta que sua mente seja provocada. Provocação quase sempre é bom, mas não é só assim que a gente inova. Também pode ser por acaso… ou não!

Por acaso cito o exemplo de conhecer há pouco mais de um ano a banda O Teatro Mágico, ou há alguns anos System of a Down. Não as descobri ouvindo rádio, não via a MTV nem nada. Ou por indicação ou por acaso. Por falar em ouvir rádio, é algo que raramente faço.

Assim como TV. Vejo, mas não gosto. Prefiro outras coisas. Fora assistir a um ou outro telejornal, TV para mim só serve para ser ligado no computador ou no Blu-Ray para ver filmes e series. E fico até surpreso quando descubro um programa interessante, se bem que ultimamente está difícil…

Mesma coisa o cinema. Gosto dos enlatados americanos, mas se vejo muitos em sequencia fico logo incomodado, minha mente pede algo mais interessante. Um cinema independente, uma obra mais autoral ou com alguma reflexão mais genuína. Aí uma grata surpresa pra mim foi encontrar – fora os filmes, especialmente franceses e italianos, encontrar o cinema brasileiro (o verdadeiro, não o da Globo) e o argentino… para citar os que mais tenho visto ultimamente.
Praias, cidades grandes como destino turístico é outra coisa que incomoda, por ser modismo nulo. Pra que que todo mundo tem que ser igual, gostar das mesmas coisas, ir para os mesmos lugares, como se só existisse um meio de viver, como num manual decorado que todos seguem sem saber porquê. Prefiro alternar com destinos diferentes. As cidades pequenas, o interior, as comunidades rurais e indígenas. Ainda que seja a trabalho, esse olhar novas coisas, novas pessoas, novos mundos, me fascina.

Enfim, não sei. Essa vida de novela que muitos seguem e outros têm como meta é tão estranha. Gosto de descobrir o que tem de diferente, ou tido como diferente. O livro ao invés da TV, os bons filmes ao invés dos comerciais, as pessoas dos lugares ao invés dos lugares das pessoas. Os amigos por afinidade e não por status.

Esquecer um pouco das redes sociais, não ficar compartilhando bobagens por impulso e desejar o fim de semana como se fosse uma panacéia desvairada que nunca resolve nada, mas quem sabe, talvez, no feriado. Eu, ao contrário, gosto dos finais de semana por passar mais tempo com as pessoas mais próximas, mas gosto dos meus trabalhos, por mais complicados que sejam em alguns momentos.

É assim… meio que por acaso, meio que sendo instintivamente levado, fazer o que não é necessariamente o tido como cotidiano que é o bom…

Talvez o resumo seja se permitir sair do convencional e testar novos olhares. E pra quem sabe olhar, ou quer aprender a olhar, tudo é muito mais interessante do que parece. Principalmente as coisas mais simples.

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About André Alves

jornalista e blogueiro

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