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Gigantismo

O dia 20 de junho de 2013 já entrou pra história do Brasil. Um milhão de pessoas espalhadas por capitais e outras cidades num dia com vários protestos: contra a corrupção, redução do preço das passagens, e a favor de direitos, liberdades e serviços públicos de qualidade. Gente de esquerda, de direita, politizada, apartidários, anti-partidários, coxinhas, reacionários, turma do oba-oba, do #eufuilá e por aí vai.

Tudo muito diverso. Em Cuiabá a cidade parou, literalmente. Mesmo! 40 mil foram às ruas protestar com suas bandeiras internas e seus cartazes externos. Com seu ápice na Assembleia Legislativa, com foco nos parlamentares, e particularmente, em José Riva, que é deputado desde que eu me lembre.

Me pergunto agora qual é o próximo passo! Do que teve início pelo Movimento do Passe livre (MPL) e com grande – mas incomparável – apelo popular, discursaram amargurados Alckmin e Haddad em São Paulo revogando o aumento das passagens de ônibus e informando juntos, que vai doer no bolso dos paulistanos de outra forma.

A polícia paulista e carioca ficou sabendo que a goiana teve mais tato e distribuiu rosas ao invés de gás lacrimogêneo. A Veja, Folha, Estadão e a TV Globo mudaram de lado e passaram apoiar essa onda que antes era “baderna por 20 centavos” passou a ser “pacífica” e “legítima”. Toda essa mudança de atitude me preocupa. O que queremos, mesmo? O que a mídia está mostrando, mesmo?

Se até a Globo altera sua imutável programação e nem fala da vitória de 10×0 (ironia minha, espero que fique bem entendido) da Espanha na Copa das Confederações, muito menos da negativa do TJMG em arquivar a denúncia contra Aécio Neves é porque a realidade das ruas viraram muitas realidades e a mídia escolheu uma: a da direita.

Incentivando nem tão subliminarmente uma algazarra e contrapondo, a todo momento, o dia “organizado”de hoje contra os do início do mês e de outras manifestações… Queria ver se fosse protesto do MST ou de povos indígenas… Aliás, como foi a cobertura da imprensa e a reação das pessoas em relação a reivindicação de terras indígenas que resultaram em mortes?

Quando é protesto dirigido, com pauta específica, a cobertura é pífia e vergonhosa. Quando a causa é múltipla e a mídia mascara essa diversidade, neste caso fazendo um recorte contra o governo Dilma – que tem muita coisa pra ser criticada, fazendo uma cobertura quase que de guerra, precisamos entender que ainda precisamos acordar! O gigante ou ainda está dormindo ou está embevecido!

Temos que ir às ruas, sim, brigar pelos direitos, exigir o fim da impunidade, redução dos impostos, das tarifas, melhoria dos serviços públicos, mas um dia de Basta, não resolve! Não para nós, cidadãos, mas dá dividendos políticos. Não aos acuados PSOL, PSTU e outros pequenos de esquerda, mas sim os grandes PSDB, PPS, PSB, DEM etc.

O dia de hoje certamente entrará para a história. Mas em que sentido eu ainda não sei! Espero que não dando forças para a extrema direita nem querendo simular o placebo dos caras pintadas dos anos 90.

Uma coisa é protestar, outra coisa é conhecer seus direitos e uma ainda mais interessante é reconhecer e lutar pelos direitos dos próximos.

E se conseguíssemos juntar tudo isso…

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About André Alves

jornalista e blogueiro

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