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Pais

Final da tarde de quinta-feira, 02 de Abril de 2015. Morre tragicamente Thomaz, um dos filhos do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin em um acidente de helicóptero junto com outras quatro pessoas. No Rio de Janeiro, morre brutalmente Eduardo de Jesus Ferreira, de apenas 10 anos, com uma bala na cabeça disparada pelo fuzil de um policial. Ele é a quarta vítima fatal em uma guerra entre policiais e traficantes no Complexo do Alemão em apenas dois dias.

Ambas mortes consternaram boa parte do país. A queda do helicóptero que ocasionou a morte de seus ocupantes, até o momento, indica ter sido por conta de uma falha mecânica na aeronave. A morte de Eduardo foi provocada por uma “bala perdida” na versão oficial da polícia militar e por uma execução por parte da família e amigos.

A queda do helicóptero foi, até onde se pode apurar, uma fatalidade, onde a gente, mesmo não conhecendo as vítimas ou seus familiares se entristece. A morte de Eduardo traz uma tristeza diferente, porque não foi uma fatalidade, simplesmente. É uma probabilidade cruel. E que revolta.

O acidente nos comove por empatia a uma pessoa pública, no caso o pai de um dos tripulantes. Da mesma forma que outros acidentes nos comoveram, como a queda do avião com Eduardo Campos e seus assessores, ou dos integrantes dos Mamonas Assassinas, ou ainda do Ayrton Senna em seu carro de Fórmula 1.

Para a morte de uma criança de 10 anos com um tiro na cabeça por trás não há justificativa plausível, muito menos o discurso distanciado da pacificação da favela. É um sentimento angustiante, como a que sentimos quando os Nardoni jogaram a menina Isabela pela janela; ou quando a jovem Eloá, sequestrada por mais de 100 horas e morta pelo ex-namorado quando a polícia invadiu o apartamento; quando Eliza Samúdio foi morta pelo goleiro Bruno e seus capangas; ou ainda o caso do menino João Hélio, arrastado por quilômetros no carro assaltado. Ou o recente caso com o menino Bernardo, no Rio Grande do Sul.

Para estas mortes há um sentimento de impotência, principalmente, talvez, quando se é pai, ou se é mãe. A gente imagina, mesmo sem querer, se isso ou aquilo tivesse acontecido com um de nossos filhos. A gente supõe uma dor que é quase impossível de se medir e de se explicar e suportar.

Em alguns casos há o desalento, em que a gente se solidariza com a dor, como a que abate a família de Alckmin, neste momento. No caso da família de Eduardo, o sentimento é de repúdio a polícia e governo do Rio.

Em um caso é fatalidade, no outro uma execução covarde que vem se tornando comum nas favelas pacificadas ou em processo de pacificação.

Em um caso, o velório tem cobertura da mídia, celebridades e políticos. Em outro, a polícia reprime a dor com bombas de efeito moral.

André Alves é jornalista em Cuiabá-MT

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About André Alves

jornalista e blogueiro

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