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A arma letal

Desde as primeiras manifestações em 2013, quando jovens de classe média voltaram às ruas em grande número, tem chamado à atenção o uso de armas não letais pelas polícias Brasil adentro. Essas armas, que a princípio, são uma alternativa – pois evitaria excessos da força policial contra suspeitos e civis que poderiam ser alvos indefesos de tiros imprecisos – tem se sido cada vez mais usada como expediente corriqueiro.
O especialista em ética Stephen Coleman, em palestra no TEDx (veja vídeo abaixo), relata vários casos ao redor do mundo de uso abusivos de armas não letais. Crianças, motoristas e idosas deitadas em sua cama foram alvejadas por esse tipo de arma por policiais estadunidenses, ingleses e australianos que, ao menos teoricamente, são mais bem preparados que os  brasileiros.
Coleman relata que o uso indiscriminado desse tipo de arma tem sido cada vez mais usado como um agregador do poder policial ao invés de ser como um instrumento a ser usado entre “a voz alta e o uso de força letal”. Em pelo menos uma situação, o número de mortos em um incidente foi elevado devido ao uso de gases que não diferenciavam sequestradores das vítimas. Em outros casos, essas armas teriam sido usadas sistematicamente em torturas de presos.
Os exemplos citados tem muito a ver com as manifestações desde 2013 às ocupações por estudantes de escolas em São Paulo. Por uso de arma não letal (dois vidros de produtos de limpeza), o cidadão sem teto Rafael Braga Vieira foi detido em 20 de junho daquele ano e em 1º de dezembro de 2015 passou para o regime semiaberto. Para “controlar” alunos em São Paulo, a polícia militar tem usado gás de pimenta em adolescentes desarmados. Já no Rio de Janeiro, cinco jovens de 16 a 25 anos foram assassinados dentro do carro quando circulavam, de madrugada, pela favela onde moravam.
Armas letais ou não tem sido usadas de forma indiscriminada e injustificada por aqueles que tem, ou deveriam ter, a finalidade de proteger a população. Na época da Copa da Fifa, em 2014, saltaram os casos desses incidentes, principalmente nas cidades que foram sede dos jogos. No ano que vem, as Olimpíadas no Rio de Janeiro tem um ingrediente explosivo com a crise econômica que, de acordo com os especialistas, não dará trégua até lá.

Em 2013, de acordo com Human Right Watch, 2,2 mil pessoas foram mortas pelas mãos da polícia no Brasil. E se você não se sente mais seguro com isso pode ser o sinal de que um estado de sítio está se armando. A polícia agindo como militares em zonas de conflito tentando, por meio de estereótipos, separar os “cidadãos de bem” de possíveis terroristas. Bandidos, muitas vezes tem como se defender. As pessoas comuns, que cabem em carapuças estereotipadas, não.

A polícia precisa estar mais bem preparada, mais aparelhada, receber melhor pelo serviço que presta e pelo risco iminente a vida. Mas a polícia precisa também, urgentemente, saber o quanto de força usar em cada caso para que sua finalidade não seja mais desvirtuada e, sim, preservada: a segurança pública.

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About André Alves

jornalista e blogueiro

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