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Android paranoico

É claro que o Radiohead nem sonhava com os smartphones na época da gravação de Paranoid Android nos idos de 1997, mas o título da canção e um dos versos  “I may be paranoid, but not an android” explica um pouco minha relação com o sistema de telefonia smart. Voltando no tempo, demorei para aderir aos smartphones, mas logo que comprei um Motorola Razr D3 em poucos dias descobri que vivia num mundo completamente diferente. Os smartphones realmente faziam a diferença para diversão, mas principalmente para trabalho.

Cerca de um ano depois, vendo alguns colegas comprando modelos da linha Lumia da Nokia (marca que eu repudiava veementemente como agora faço com a Samsung, que as pessoas pagam a mais pela marca e não necessariamente pela qualidade), com Windows Mobile. Fiquei interessado e há dois anos comprei um Lumia 730. Há cerca de seis meses venho namorando outros modelos, mas como há muita incerteza sobre a continuação desse tipo de aparelho no mercado, venho adiando a compra e ainda descobrindo novas funções e praticidades com o aparelho.

Este post não é para entrar numa discussão besta sobre qual é melhor: Android, Windows mobile ou IOS. Em grande parte, é gosto. E para o meu gosto brinco com amigos e familiares mais próximos que Android é para criança, Windows é para adulto, Iphone pra quem tem grana. Digo isto brincando, é claro, mas não sem um fundo de verdade. Muito dos apelos ao sistema mais popular é que tem uma infinidade de aplicativos, ainda que quase todos os principais têm nos outros sistemas também. Ah, mas não tem Snapchat nem Pokémon Go nos lumias… Tô muito bem assim, obrigado! Não tenho o menor interesse.

Dos motivos que me fizeram gostar do Windows é a conectividade com meu laptop e tablet, ambos com Windows 10, é claro. Se tivesse um Mac, com certeza iria querer um Iphone, mas… Outros fatores que contribuíram para eu gostar mais foram a duração da bateria, que ainda dura praticamente um dia inteiro, mesmo com uso intenso e os três equipamentos com a mesma cara e com os aplicativos compartilhados, como o office 365 e o groove.

Mas novamente, gosto é gosto e qualquer usuário de android pode trabalhar com Windows nos pcs e ter um MacAir e não ligar para as coisas que falei acima.

No entanto, o que mais gostei mesmo foi um efeito a longo prazo. Estou com o mesmo celular há dois anos, que está com cara de novo por fora e por dentro apesar de seus míseros 8gb de espaço interno. Fazendo um levantamento mental rápido constatei que a maioria de familiares e amigos já trocou de celular (android) pelo menos uma vez nesse período. Alguns colegas já trocaram até quatro vezes.

E aí que me dei conta, indiretamente, do efeito que muitas marcas fazem com a gente. A obsolescência programada e a aparente. A programada é aquela em que o produto estraga depois de um determinado tempo e consertá-lo é quase tão ou mais caro que arrumá-lo. Então, troca-se por outro. Ou então é aquela sensação de inutilidade aparente. Quando comprei meu Motorola, estava na versão Jelly Bean. Quando comprei o Nokia o sistema Windows era 8.1 e no início deste ano veio a atualização gratuita para o 10. E praticamente todos os celulares receberam a atualização. O Android, nesse mesmo período passou pelo KitKat, Lollipop, Marshmallow e recém lançou o Nougat. Como a maioria dos aparelhos não irão receber todas as atualizações, cria-se a falsa necessidade de ter que comprar um novo, junto com a infinidade de marcas e modelos. Pessoas comuns hipnotizadas com a falsa necessidade de se atualizar. Mas é uma indústria com produtos relativamente caros para a maioria das pessoas que não precisariam nada disso para continuar falando, mandando mensagens ou usando a maioria dos aplicativos que realmente não estão lá só pra mostrar para os amigos que tem. Isso sem falar no grande impacto social e ambiental que esses aparelhos e uma infinidade de outros (de roupas a carros), seja na exploração da mão-de-obra que muitas empresas fazem em países menos desenvolvidos, seja intensa extração de matéria-prima e poucos programas eficientes de reciclagem e logística reversa. Seja ainda na fatia do salário que sai à toa do bolso do trabalhador.

Enfim, a possível obsolescência do Windows mobile me fez compartilhar essa reflexão do quanto somos manipulados para comprar coisas que não precisamos para impressionar pessoas que não nos interessam, parafraseando uma frase atribuída a muitos autores.

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About André Alves

jornalista e blogueiro

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